COTIDIANO

ARCODAY 2026: Uma Confirmação de que Estamos no Caminho Certo

Fui a São Paulo com expectativa. Voltei com a certeza de que o Colégio Luterano Rui Barbosa está no caminho certo

Geral
ARCODAY | 10/06/2026 11h15

(Foto: Divulgação )

O ARCODAY, evento do qual participei, é o maior evento educacional promovido pelo Grupo ARCO Educação, uma das principais referências em soluções pedagógicas e tecnológicas para escolas de todo o Brasil. Com atuação em milhares de instituições de ensino em todo o país, o Grupo ARCO reúne marcas e plataformas que apoiam escolas na jornada de transformação educacional, combinando inovação, currículo e formação de professores.

O evento tem como propósito reunir gestores, educadores e especialistas nacionais e internacionais para debater os grandes temas que moldam o presente e o futuro da educação. Com palestras, painéis e experiências imersivas, o ARCODAY se consolida como um espaço privilegiado de reflexão, atualização e inspiração para quem lidera processos educativos.

Esta edição de 2026, realizada em São Paulo, marca o terceiro encontro do ARCODAY — e, a cada ano, o evento cresce em relevância, profundidade e no alcance das discussões que propõe.

Participar do ARCODAY 2026 foi uma experiência que vai muito além do que qualquer resumo pode capturar. Ao longo de dois dias intensos, mergulhei em reflexões sobre educação, tecnologia, inteligência artificial e formação humana. E o que mais me marcou não foi uma única palestra, mas uma percepção que foi se consolidando à medida que cada palestrante subia ao palco: muito do que está sendo apontado como o futuro da educação já faz parte do nosso presente.

Dia 1 — Hábitos, propósito e a escola que forma pessoas

O primeiro dia começou de forma inusitada: uma apresentação teatral que nos convidou a refletir sobre os hábitos que moldam nossas vidas, o papel da tecnologia como meio — e não como fim — e a responsabilidade da escola na formação dos adultos que a sociedade terá no futuro. Uma abertura poderosa, que deu o tom de tudo o que estava por vir.

Na sequência, Charles Duhigg apresentou o conceito do Loop do Hábito, mostrando como nossos comportamentos são guiados por gatilhos, rotinas e recompensas. Sua mensagem foi clara: mudanças duradouras exigem consciência e conexão emocional com os objetivos que queremos alcançar. Enquanto ouvia, não pude deixar de pensar em como essa lógica se aplica à nossa prática pedagógica — quando formamos estudantes conscientes de seus próprios processos, estamos, de fato, preparando-os para a vida.

Renata Vichi trouxe reflexões sobre a construção de negócios longevos, falando sobre consistência, disciplina e a capacidade de se adaptar sem perder a essência. Palavras que ressoaram em mim porque descrevem exatamente o que buscamos como instituição: evoluir sem abrir mão de quem somos.

Um dos momentos mais esperados do dia foi o painel sobre Inteligência Artificial, com Celso Camilo, Luciano Meira e Vitor Margato. A mensagem foi unânime: a aprendizagem continua exigindo esforço humano, e a IA deve ser incorporada às escolas com responsabilidade, governança e intencionalidade pedagógica. A tecnologia como aliada, nunca como substituta das capacidades humanas. É exatamente essa a visão que orientamos em nossas práticas.

Ademar Celedônio conduziu uma reflexão histórica sobre a educação e lançou alertas importantes sobre os riscos da preguiça cognitiva e da automação do pensamento. Ele destacou seis competências fundamentais para a formação integral: caráter, criatividade, curiosidade, comunicação, colaboração e cidadania. Ao ouvi-lo, reconheci na fala dele o retrato do que já construímos. Sua conclusão ficou gravada: "a escola do futuro será aquela que ajudar as pessoas a recordar sua essência e identidade." Isso, nós já fazemos.

Encerrando o primeiro dia, Esther Wojcicki, conhecida como a “madrinha do Vale do Silício” por ter inspirado gerações de líderes da tecnologia, apresentou o modelo TRICK — Confiança, Respeito, Independência, Colaboração e Gentileza — como alicerces de uma educação transformadora. Sua valorização da aprendizagem ativa, da autonomia dos estudantes e da compreensão do erro como parte do crescimento foi mais uma confirmação de que estamos alinhados com o que há de mais consistente em termos de pensamento educacional no mundo.

Dia 2 — Conexão humana, tecnologia e o propósito de educar

Se o primeiro dia foi sobre hábitos e propósito, o segundo foi sobre pessoas. Uma mensagem atravessou todas as falas: educar é, antes de tudo, promover encontros humanos significativos.

Kasley Killam abriu o dia apresentando o conceito de Saúde Social — um dos três pilares do bem-estar, ao lado da saúde física e mental. Com base em evidências científicas, ela demonstrou que pessoas com relações sociais saudáveis vivem mais e com melhor qualidade de vida, e que as experiências de conexão vividas na infância impactam profundamente a vida adulta. Sua provocação final foi direta e tocante: "as melhores escolas do futuro serão aquelas que priorizarem as pessoas, e não apenas os pixels." Para nós, isso não é novidade — é compromisso.

Ari de Sá Neto abordou os desafios da aceleração tecnológica e da transformação demográfica com uma perspectiva que apreciei muito: em meio a tanto que muda, há elementos que permanecem indispensáveis — disciplina, autonomia, leitura e matemática. Sua mensagem foi clara: inovar não significa abandonar fundamentos, mas ter coragem de evoluir preservando o que continua essencial.

Débora Garofalo e Idelfranio Moreira aprofundaram os desafios contemporâneos da educação e foram categóricos: a tecnologia não substituirá o professor. O papel do educador vai muito além da transmissão de conteúdo. Eles também trouxeram um ponto fundamental — a valorização da escuta ativa e da participação estudantil, reforçando que espaços como os grêmios fortalecem o protagonismo e a cidadania. Mais uma vez, me vi reconhecendo práticas que já cultivamos.

O Dr. Michael Rich trouxe reflexões essenciais sobre a relação entre crianças, jovens e tecnologia. Ele alertou para os riscos da hiperconectividade e dos mecanismos que disputam a atenção dos usuários, mas sem cair em um discurso meramente proibitivo. Defendeu uma educação digital baseada na construção coletiva de regras e no desenvolvimento da cidadania digital. E ao listar as quatro atitudes fundamentais para o século XXI — ser consciente, ser crítico, saber lidar com o tédio e estar presente — ele descreveu, sem saber, muito do que já buscamos cultivar em nossos estudantes.

O encerramento ficou por conta do Professor Cortella, e não poderia ter sido mais inspirador. Ao nos provocar a pensar sobre como desejamos ser lembrados e qual é o propósito de nossa existência, ele tocou naquilo que move qualquer educador de verdade. Sua frase ficou no ar: "devemos brilhar para iluminar, e não para ofuscar." É sobre isso. É sempre sobre isso.

O que trago de volta

Saio do ARCODAY 2026 com a alma cheia e a convicção renovada. Não porque o evento me apresentou novidades que precisamos urgentemente implementar. Mas porque, ao ouvir pensadores e especialistas de diferentes áreas e países, percebi que nossa escola já realiza, com qualidade e propósito, muito do que hoje é apontado como o ideal para a educação do futuro.

O foco na formação integral do ser humano continua sendo o centro de tudo — e essa é a nossa essência. Em meio a tantas transformações, há valores que permanecem fundamentais: resgatar e fortalecer a nossa humanidade é um deles. O professor segue sendo insubstituível. As relações humanas continuam sendo a base de tudo. E a convicção de que educar é um encontro entre pessoas — construído com coragem, vínculo e propósito — é o que nos move todos os dias.

Há sempre espaço para crescer. Mas também é hora de reconhecer: estamos no caminho certo.

Com informações de Assessoria


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