COTIDIANO

Trabalho missionário voluntário: novo rumo a muitas histórias

Quem participou reconhece que os voluntários são os que mais ganham com as missões

Mal. Cândido Rondon, Entre Rios do Oeste, Mercedes, Nova Santa Rosa, Quatro Pontes, Pato Bragado
Missão Voluntária | 12/07/2018 12h15

A rondonense Denise em missão. (Foto: Arquivo pessoal )

No dia 23 de junho, 12 meninos de um time de futebol tailandês e o técnico faziam um passeio de bicicleta e entraram na caverna Tham Luang, no norte da Tailândia para se proteger de uma chuva intensa. A água subiu muito rápido e deixou o grupo isolado sem comida por 9 dias.

No dia 02 deste mês, mergulhadores ingleses encontraram o grupo de garotos, que tem entre 11 e 16 anos e o técnico, de 25 anos, a 4 km da entrada da caverna e entre 800m e 1 km de profundidade. Um dos mergulhadores que levou suprimentos aos meninos morreu sem oxigênio quando voltava para a entrada da caverna.

O resgate iniciou no domingo (8), quando foram retirados quatro garotos. Na segunda-feira, mais quatro garotos foram resgatados. E na terça-feira, os últimos quatro meninos e o técnico.

A complexa operação de resgate teve a participação de 90 mergulhadores, sendo 50 estrangeiros e 40 tailandeses. No total, mais de mil pessoas fizeram parte dos trabalhos.

A notícia causou comoção internacional. E o que pouca gente sabe é que brasileiros estão participando de missões naquele local. Brasileiros e até gente que mora na região Oeste do Paraná.

Na Tailândia

Denise Baier é de Marechal Cândido Rondon e está em uma missão voluntária do Projeto Adore na Tailândia há pouco mais de um ano. Denise está justamente na cidade em que fica a caverna. Ela conta que foram dias muito tensos. “Dos meninos que estavam lá dentro, apenas um era conhecido e era cristão. Ele foi criado num orfanato cristão, entendia a língua inglesa e sabia falar com os mergulhadores”. Segundo Denise, todos os voluntários e missionários choraram muito com a morte do mergulhador, e na terça-feira afirmou à equipe de reportagem do Jornal Tribuna do Oeste, que “o coração de todos está alegre demais com o resgate”.

Missionários voluntários

Ser voluntário é demonstrar apoio a um trabalho conjunto podendo tornar o mundo um melhor lugar para todos. E nesse trabalho, muitas vidas se transformam inclusive dos missionários voluntários.

O voluntário de curto prazo é alguém que realiza um serviço missionário por um período de duas semanas a dois anos. Pode desenvolver qualquer atividade, seja ela relacionada a evangelismo, enfermagem, medicina, educação física, engenharia, construção, odontologia, pedagogia, ensino de línguas, trabalhos técnicos, etc. Ele atua diretamente na comunidade ou serve em uma instituição da igreja onde a ajuda não é somente bem-vinda, mas essencial.

No início de outubro de 2010, Denise embarcou para sua primeira missão voluntária, na Tanzânia, no meio da tribo Masai, para trabalhar com órfãos, viúvas, e construção de igrejas. Sua segunda missão foi na Índia, onde também ficou por dois anos. “Particularmente naquela época, embora eu sonhasse em conhecer muitos lugares do planeta, a Índia era assustadora para mim. Mas quando vi os rostinhos das crianças indianas, não pude resistir ao convite, e decidi abrir mão dos meus preconceitos”, conta.

Natália Henke Xavier também é de Marechal Cândido Rondon, e teve a oportunidade de entrar como voluntária no projeto Guerreiros de Deus, fundado pelo ex-Paquito da Xuxa, Alexandre Canhoni. O projeto é cristão, mas não tem denominação específica de religião. Em 2013 ela foi para o Níger, na África, o país mais pobre do mundo. Lá ficou por dois meses e meio. 

Missões futuras

Além de Denise que continua em missões, Natália diz que não vê a hora de poder ingressar para um novo período de missionária voluntária.

E a rondonense Marta Schumacher, que recebeu um convite para uma missão num momento de espiritualidade, convidou seu marido para ir junto. A missão para a qual estão inscritos será em Quebo, na África. Segundo Marta, “A decisão de ir ou não, ainda está por vir”. Por enquanto, estão acontecendo encontros do grupo que fazem parte. “Na caminhada de preparação, vamos conhecendo um pouco da realidade de lá, a cultura, os costumes e necessidades. Quando chegar o momento de dizer, ‘sim, eu vou’ esperamos estar preparados e encorajados o suficiente”.

O grupo é conduzido pelo Comire (Conselho Missionário Regional) do Paraná. Existe um grupo de Ação Missionária da CNBB e a União Missionária das Pontifícias Obras Missionárias (POM) da igreja Católica, comunidade da qual Marta faz parte. 

Sem dúvidas, a ansiedade do grupo para a missão, que possivelmente acontecerá em 2019, é muito grande. Marta e seu marido que precisarão desapegar da vida confortável e viver com quase nada, vêem a futura missão como “um treino, com certeza, e bem exigente”, comenta ela. Entretanto, ela reconhece o propósito maior “Ajudar, fazer algo por alguém voluntariamente, nos traz o sentimento de pertencer. De não passar por esse mundo sem deixar alguma marca”.

Bagagem

Apesar das consequências físicas, a experiência e a nova visão que se traz do país onde participou de missões, não tem preço. Passados quatro anos da missão, a saúde de Natália ainda está em recuperação, entretanto, ela afirma com alegria que “a melhor coisa vivida foi o toque humano, o sorriso, os abraços, o olhar. Digo que fui ajudar, mas eu que fui ajudada”. E por mais que a contribuição pareça pequena, fazendo a sua parte já é uma grande oferta. “Você passa de telespectador para alguém que faz parte desse meio. Então, é muito gratificante, muda a nossa vida”, completa.

Denise, que continuará na Tailândia até maio de 2019, também vê o trabalho voluntário muito além de uma doação pessoal, ou troca de experiências, “é você se permitir crescer com a diversidade, é quebrar paradigmas e preconceitos, reconhecer que somos limitados, mas que isso não pode ser nosso limite. Sempre temos algo a oferecer, que pode transformar uma vida, uma comunidade, uma geração”.

Está no sangue

Mas por que essas pessoas decidem deixar o conforto de seus lares, familiares, amigos, emprego e até a fama para viverem em um uma cultura completamente estranha e, cheia de riscos em relação à saúde e segurança? Por amor ao próximo, é uma das respostas.

Conforme afirma Marta, a semente do voluntariado foi plantada nela ainda na infância. E o mesmo aconteceu com Natália e Denise. Para Marta o desejo iniciou ainda na escola quando recebiam voluntários do Projeto Rondon que existe até hoje. Desde cedo, Marta notava que "o trabalho voluntário faz a diferença, causa impacto positivo na vida de pessoas”.

Denise também descobriu que queria ser voluntária ainda na infância. “Quando tinha 12 anos minha igreja recebeu um missionário que fez um trabalho incrível com jovens e adolescentes por um período de um ano. Depois de sua partida, esse grupo continuou unido e crescendo em comunhão e conhecimento da pessoa de Jesus. A partir daquela data, decidi que era isso o que eu queria fazer na minha vida. Levar a mensagem do evangelho de Cristo onde quer que eu fosse”.

Natália conta que a inspiração vinha de casa. “Minha mãe nunca fez um trabalho direto como voluntária missionária, nunca saiu do país, mas é muito ligada à parte social. Ela sempre atendeu as pessoas e cuidou muito delas. Sempre teve um lado solidário”.

Mudar de vida

Alexandre Canhoni, um dos ex-paquitos da Xuxa, deixou a fama há mais de dez anos para se dedicar a um “chamado de Deus”. Mudou-se para a cidade de Niamey, no Níger, norte da África. Alexandre é paranaense, de Guarapuava. No Níger, possui a guarda de mais de dez crianças. O projeto que fundou no país pobre é chamado “Guerreiros de Deus” e engloba mais de 200 crianças. Lá, sua esposa e demais missionários do grupo têm projetos esportivos que promovem a educação, cultura como de dança e música, projeção de filmes evangélicos, cursos de corte e costura a mulheres das vilas, projetos de nutrição, refeições e encontros onde a palavra de Deus é pregada.

O projeto “Guerreiros de Deus” é uma ONG não governamental e internacional e conta com doações de pessoas de vários países para se manter.

 

Tribuna do Oeste é o jornal dos municípios, ele circula todas as quintas-feiras em Marechal Cândido Rondon, Nova Santa Rosa, Mercedes, Entre Rios do Oeste, Pato Bragado e Quatro Pontes. Informações e assinaturas: 3254-7886 ou 99974-3988. 

 

Com informações de Jornal Tribuna do Oeste


  


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